Que alegria ver o Rubens Barrichello feliz, sorrindo, feito criança, numa manhã de domingo. Não gente, ele não venceu uma corrida na fórmula-1.
Andei (ando) meio ausente, eu sei... Mas não é por conta da crise... Reparou que tudo no mundo ultimamente é culpa da crise? Essa crise é estressante... Deixemo-la para os analistas de economia, aqueles excêntricos...
Que alegria ver o Rubens Barrichello feliz, sorrindo, feito criança, numa manhã de domingo. Não gente, ele não venceu uma corrida na fórmula-1. Ele venceu o Desafio das Estrelas no Kartódromo dos Ingleses, na bela e tão castigada pelas chuvas – falamos nisso num dos posts anteriores meio que prevendo – Santa Catarina.
Aliás, o evento também serviu como campanha de arrecadação de donativos e dinheiro em prol das vítimas da catástrofe. Organizado pelo atual vice-campeão mundial de fórmula-1, Felipe Massa, o desafio que contou com a participação, inclusive, de Michael Schumacher, conseguiu angariar doações consideráveis em favor das vítimas da tragédia catarinense.
Na pista, Rubinho mostrou porque é considerado um dos três maiores pilotos de kart da história no País – vale lembrar que neste seleto grupo temos ninguém menos que Ayrton Senna – e venceu com méritos a primeira bateria do dia após um duelo muito bonito com o também brazuza Lucas Di Grassi.
Na segunda bateria, onde os carros e o grid são trocados, Barrichello chegou à quinta posição e, assim como Hamilton, conseguiu por um ponto o merecido título do desafio. Melhor do que vê-lo, pela segunda vez no mês vencer uma prova – ele havia vencido pela oitava vez as 500 milhas da Granja Vianna – foi assistir a torcida catarinense (brasileira) gritando o nome de Barrichello na arquibancada.
Uma justa homenagem que o povo estava devendo a esse brasileiro tão incompreendido. Engraçado, vendo-o tão feliz fica a sensação de que ele, realmente, ainda merece guiar um carro da principal categoria do automobilismo mundial. Fica a torcida.
Torcida essa que não é contra Di Grassi ou contra o Bruno Senna – há lugar para todo mundo no momento certo – e sim uma torcida por quem a cada dia dá mostras de que possui talento e vontade suficientes para seguir competindo em alto nível.
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
Saudade do Felipão
Não que não seja uma ótima idéia ver o Scolari no banco de nossa seleção. Mas da época de nosso glorioso gaúcho eu realmente sinto saudade do brio dos jogadores, do suor escorrendo...
Enfim, gol. Aliás, gols. Numa atuação razoável, a seleção brasileira venceu, no Elefantão Branco – mais sobre isso em outro post – digo, Bezerrão, na cidade satélite de Gama, no Distrito Federal, a seleção de Portugal por sonoros 6 x 2.
Não foi lá nenhuma atuação fenomenal – tenho certo receio de usar essa expressão hoje em dia – mas, o que se viu em campo foram jogadores correndo atrás do resultado o que, dadas as últimas decepções, lavou, de fato, a alma do torcedor.
Torcedor gosta disso. Gosta de vontade, coragem, de suor no peito. De jogadores como o nosso grande Kaká... Que joguem, de fato, como na época do nosso saudoso Felipão. Você deve estar, com justa razão, diga-se de passagem, imaginando: lá vem outro pseudo jornalista fazer campanha pela queda do técnico Dunga e, de quebra, só para variar um pouquinho, mostrar que já tem o substituto na ponta da língua.
Não, não é isso, eu garanto... Não que não seja uma ótima idéia ver o Scolari no banco de nossa seleção. Mas da época de nosso glorioso gaúcho eu realmente sinto saudade do brio dos jogadores, do suor escorrendo... Acho que em Lisboa o pessoal deve estar com esta mesma sensação.
Há pouco tempo atrás um resultado como este seria inimaginável. Portugal jogava com raça, vendia caro os resultados, era temido. Tinha lá meia dúzia de bons valores que, unidos, formavam um time competitivo. E foi assim em duas Copas, em duas Eurocopas... Mas o que se viu... Um time português irreconhecível.
Sequer o todo poderoso Cristiano Ronaldo lembrava o jogador da chuvosa Manchester. A saudade bate forte no coração de nossos irmãos. Quando Luiz Felipe chegou a Portugal, em pouco tempo, ele identificou o problema. Havia bons jogadores, mas não havia união. Todos eram estrelas, todos se viam mais importantes do que o nosso Rei do Futebol.
Afasta daqui, barra dali, peita acolá e o bando virou um time e passou a falar alto no futebol europeu. Venceu, inclusive, o time de Dunga no início de seus trabalhos. O que se viu no planalto central foi uma seleção de Portugal de antigamente. De razoáveis jogadores que se acham craques, não correm, não se falam e, o pior, não joga. Facilitaram o trabalho do selecionado canarinho que, no segundo tempo, literalmente, deu um passeio no time de Carlos Queiroz.
Havia anos que não se via um time português tão entregue. Se Cristiano Ronaldo dependesse da partida para ganhar os prêmios que irá ganhar ao término da temporada já podia se contentar com a derrota. Enfim, saudade... Do nosso lado, avesso às rivalidades midiáticas, Kaká correu, buscou, fez o time jogar e mostrou para o Cristiano Ronaldo que é sim, por méritos, o melhor jogador do mundo e que, independentemente das eleições desse fim de ano, seguirá sendo o melhor por anos.
O jovem português, grande jogador por sinal, não deve se iludir. Comercialmente o ano do Manchester foi melhor do que o ano do Milan, e isso lhe renderá todas as bolas e chuteiras douradas do mundo do futebol sem dúvida. Kaká teve uma temporada complicada, com contusões e o time italiano não teve comercialmente um grande ano. Até porque, se fosse para se fazer justiça, se fosse meramente esportivo, os prêmios da temporada deveriam ser entregues ao argentino Messi que, sem dúvidas, jogou por música nesta temporada.
De tudo o que fica é saudade. Saudade lusa e saudade nossa. E a nossa saudade é do tempo em que golear Portugal não seria encarado como uma façanha e sim um dever cumprido.
Enfim, gol. Aliás, gols. Numa atuação razoável, a seleção brasileira venceu, no Elefantão Branco – mais sobre isso em outro post – digo, Bezerrão, na cidade satélite de Gama, no Distrito Federal, a seleção de Portugal por sonoros 6 x 2.
Não foi lá nenhuma atuação fenomenal – tenho certo receio de usar essa expressão hoje em dia – mas, o que se viu em campo foram jogadores correndo atrás do resultado o que, dadas as últimas decepções, lavou, de fato, a alma do torcedor.
Torcedor gosta disso. Gosta de vontade, coragem, de suor no peito. De jogadores como o nosso grande Kaká... Que joguem, de fato, como na época do nosso saudoso Felipão. Você deve estar, com justa razão, diga-se de passagem, imaginando: lá vem outro pseudo jornalista fazer campanha pela queda do técnico Dunga e, de quebra, só para variar um pouquinho, mostrar que já tem o substituto na ponta da língua.
Não, não é isso, eu garanto... Não que não seja uma ótima idéia ver o Scolari no banco de nossa seleção. Mas da época de nosso glorioso gaúcho eu realmente sinto saudade do brio dos jogadores, do suor escorrendo... Acho que em Lisboa o pessoal deve estar com esta mesma sensação.
Há pouco tempo atrás um resultado como este seria inimaginável. Portugal jogava com raça, vendia caro os resultados, era temido. Tinha lá meia dúzia de bons valores que, unidos, formavam um time competitivo. E foi assim em duas Copas, em duas Eurocopas... Mas o que se viu... Um time português irreconhecível.
Sequer o todo poderoso Cristiano Ronaldo lembrava o jogador da chuvosa Manchester. A saudade bate forte no coração de nossos irmãos. Quando Luiz Felipe chegou a Portugal, em pouco tempo, ele identificou o problema. Havia bons jogadores, mas não havia união. Todos eram estrelas, todos se viam mais importantes do que o nosso Rei do Futebol.
Afasta daqui, barra dali, peita acolá e o bando virou um time e passou a falar alto no futebol europeu. Venceu, inclusive, o time de Dunga no início de seus trabalhos. O que se viu no planalto central foi uma seleção de Portugal de antigamente. De razoáveis jogadores que se acham craques, não correm, não se falam e, o pior, não joga. Facilitaram o trabalho do selecionado canarinho que, no segundo tempo, literalmente, deu um passeio no time de Carlos Queiroz.
Havia anos que não se via um time português tão entregue. Se Cristiano Ronaldo dependesse da partida para ganhar os prêmios que irá ganhar ao término da temporada já podia se contentar com a derrota. Enfim, saudade... Do nosso lado, avesso às rivalidades midiáticas, Kaká correu, buscou, fez o time jogar e mostrou para o Cristiano Ronaldo que é sim, por méritos, o melhor jogador do mundo e que, independentemente das eleições desse fim de ano, seguirá sendo o melhor por anos.
O jovem português, grande jogador por sinal, não deve se iludir. Comercialmente o ano do Manchester foi melhor do que o ano do Milan, e isso lhe renderá todas as bolas e chuteiras douradas do mundo do futebol sem dúvida. Kaká teve uma temporada complicada, com contusões e o time italiano não teve comercialmente um grande ano. Até porque, se fosse para se fazer justiça, se fosse meramente esportivo, os prêmios da temporada deveriam ser entregues ao argentino Messi que, sem dúvidas, jogou por música nesta temporada.
De tudo o que fica é saudade. Saudade lusa e saudade nossa. E a nossa saudade é do tempo em que golear Portugal não seria encarado como uma façanha e sim um dever cumprido.
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
São tantas emoções
Pois bem, faltam quatro rodadas para o fim da atual temporada do Campeonato Brasileiro... Arrisca um palpite para o campeão?
Quando, em razão da desordem constituída, a CBF adotou o sistema de pontos corridos para a disputa do Campeonato Brasileiro de Futebol, meio mundo do futebol nacional torceu o nariz para esta que foi uma das poucas idéias brilhantes tidas por esta, digamos, milenar gestão da Confederação.
Vai faltar emoção bradaram em tom apocalíptico meu grande amigo Mário Tinoco e tantos outros seguidores da Armageddon futebolística... Pois bem, faltam quatro rodadas para o fim da atual temporada... Arrisca um palpite?
Realmente a supremacia ostentada pelo equilibrado São Paulo nos últimos campeonatos e pelo quase mágico Cruzeiro de Luxemburgo de tempos atrás deixou esta dúvida pairando no ar... Seria melhor voltar à injusta disputa de play offs do século passado? Os defensores dessa idéia se baseiam na teoria (?) de que brasileiro está acostumado com “mata-mata”...
Sei lá, pode ser que seja analogia com o estado de sítio que nós civis vivemos nos grandes centros e no nosso “garboso” cinema nacional. Mas será que ninguém se entregou a loucura que foram os últimos capítulos do velório corintiano no ano passado, em que o caixão só foi fechado na última rodada para um enterro catártico?
Sim. Aquilo era uma disputa. Falando nos alvinegros do Parque São Jorge, penso ser difícil negar que a fórmula de disputa instituída transformou a divisão de acesso num campeonato disputado. E como há emoção na segunda divisão!
Incompetência ou não das diretorias de grandes clubes que resolveram prestigiar a divisão de acesso, o fato é que a competição ganhou força. O bom senso – e isso não é figura de linguagem – do Dr. Ricardo Teixeira, mesmo que agindo em causa própria, deu um novo ar as três (agora quatro) divisões do campeonato nacional e, por tabela, ainda prestou um serviço às torcidas nacionais, ao escancarar a incompetência e a má gestão de grandes clubes como Fluminense, Palmeiras, Botafogo e do próprio Corinthians Paulista.
Além de justo – basta lembrar que, no “mata-mata”, o Santos, oitavo colocado na última vez que esse crime foi cometido, só conseguiu fazer mais pontos que o São Paulo, eliminado na primeira rodada do tiroteio, a poucos segundos da final do campeonato – esta fórmula coloca em pé de igualdade todos os clubes.
Todos sabem que com o êxodo precoce dos melhores, o nivelamento é feito pela parte de baixo da qualidade técnica. E nada mais justo que os chamados “pequenos” de nosso futebol tenham igualdade na disputa.
Na atual temporada, faltam apenas quatro jogos para todas as equipes. Seja na briga pelo título, seja na disputa na parte de baixo da tabela, é impossível se arriscar um palpite. Com exceção do Ipatinga que já está rebaixado, as três outras vagas do rebaixamento, a disputa do título e a disputa pelas vagas na Taça Libertadores da América do próximo ano seguem em aberto.
Será uma chegada emocionante e tudo indica que decidida na última rodada. Será que depois da temporada de 2008 alguém, além da televisão, vai continuar teclando na tecla de que falta emoção neste modelo de Campeonato Brasileiro?
Quando, em razão da desordem constituída, a CBF adotou o sistema de pontos corridos para a disputa do Campeonato Brasileiro de Futebol, meio mundo do futebol nacional torceu o nariz para esta que foi uma das poucas idéias brilhantes tidas por esta, digamos, milenar gestão da Confederação.
Vai faltar emoção bradaram em tom apocalíptico meu grande amigo Mário Tinoco e tantos outros seguidores da Armageddon futebolística... Pois bem, faltam quatro rodadas para o fim da atual temporada... Arrisca um palpite?
Realmente a supremacia ostentada pelo equilibrado São Paulo nos últimos campeonatos e pelo quase mágico Cruzeiro de Luxemburgo de tempos atrás deixou esta dúvida pairando no ar... Seria melhor voltar à injusta disputa de play offs do século passado? Os defensores dessa idéia se baseiam na teoria (?) de que brasileiro está acostumado com “mata-mata”...
Sei lá, pode ser que seja analogia com o estado de sítio que nós civis vivemos nos grandes centros e no nosso “garboso” cinema nacional. Mas será que ninguém se entregou a loucura que foram os últimos capítulos do velório corintiano no ano passado, em que o caixão só foi fechado na última rodada para um enterro catártico?
Sim. Aquilo era uma disputa. Falando nos alvinegros do Parque São Jorge, penso ser difícil negar que a fórmula de disputa instituída transformou a divisão de acesso num campeonato disputado. E como há emoção na segunda divisão!
Incompetência ou não das diretorias de grandes clubes que resolveram prestigiar a divisão de acesso, o fato é que a competição ganhou força. O bom senso – e isso não é figura de linguagem – do Dr. Ricardo Teixeira, mesmo que agindo em causa própria, deu um novo ar as três (agora quatro) divisões do campeonato nacional e, por tabela, ainda prestou um serviço às torcidas nacionais, ao escancarar a incompetência e a má gestão de grandes clubes como Fluminense, Palmeiras, Botafogo e do próprio Corinthians Paulista.
Além de justo – basta lembrar que, no “mata-mata”, o Santos, oitavo colocado na última vez que esse crime foi cometido, só conseguiu fazer mais pontos que o São Paulo, eliminado na primeira rodada do tiroteio, a poucos segundos da final do campeonato – esta fórmula coloca em pé de igualdade todos os clubes.
Todos sabem que com o êxodo precoce dos melhores, o nivelamento é feito pela parte de baixo da qualidade técnica. E nada mais justo que os chamados “pequenos” de nosso futebol tenham igualdade na disputa.
Na atual temporada, faltam apenas quatro jogos para todas as equipes. Seja na briga pelo título, seja na disputa na parte de baixo da tabela, é impossível se arriscar um palpite. Com exceção do Ipatinga que já está rebaixado, as três outras vagas do rebaixamento, a disputa do título e a disputa pelas vagas na Taça Libertadores da América do próximo ano seguem em aberto.
Será uma chegada emocionante e tudo indica que decidida na última rodada. Será que depois da temporada de 2008 alguém, além da televisão, vai continuar teclando na tecla de que falta emoção neste modelo de Campeonato Brasileiro?
Sábado, 8 de Novembro de 2008
Uma curva,um destino
Artigo publicado no blog esportivo do site Rota Capixaba
Vou começar este artigo em sentido anti-horário, como no autódromo José Carlos Pace... Por quê? Porque é preciso... Felipe Massa foi grande, foi herói, liderou de ponta a ponta a corrida, venceu com méritos e sobras, mas, o título é do piloto britânico e isso não pode ser diminuído de forma alguma.
Tanto Lewis quanto Felipe fizeram por merecer vencer este campeonato. Foram responsáveis pelos melhores momentos dessa temporada, quiçá dos últimos anos insossos da categoria. Agora, não dar a devida importância ao título de um piloto que está apenas na sua segunda temporada e detêm marcas impressionantes pela curta carreira, além de um arrojo difícil de mensurar em palavras, é uma tremenda falta de respeito.
Falta de respeito, inclusive, com o nosso bravo Felipe. Ele não precisa dessa piedade. É um piloto sensacional e que, caso não haja reveses em sua carreira, será sim campeão do mundo. Eu tenho um amigo, Rubens Bravo, que sempre me diz uma frase que vou carregar comigo para o resto da vida.
Ele aprendera com seu pai e sempre faz questão de trazê-la a tona quando preciso: “toda frase começada por 'se' é idiota, é desnecessária... ’’ Então, se o motor não tivesse estourado, se a mangueira não tivesse ficado acoplada, se o Hamilton não tivesse enchido o carro de Raikkonen nos boxes, se o pobre do Glock tivesse trocado os pneus... Enfim, o 'se' não entra para a história.
No esporte de alto-rendimento não há espaço para condicionais. Ou é ou não é. E o que entra para a história são os últimos quinhentos metros da pista de Interlagos. É isso o que vale. Sendo assim, podemos voltar a nos ater aos fatos. A Ferrari dominou amplamente o fim de semana do GP Brasil.
A McLaren em momento algum conseguiu se encontrar. Sábado na classificação Felipe fez segundo suas próprias palavras “uma volta mais que perfeita”, quase meio segundo à frente de Lewis que alinhou em quarto no grid. Durante a prova Felipe impôs desde o início um ritmo alucinante, mostrando que estava focado em conseguir o seu objetivo primordial na corrida: a vitória do GP Brasil.
Liderou de ponta a ponta a corrida e no fim conseguiu o feito que o iguala ao lendário e inesquecível Ayrton Senna, com duas vitórias no circuito de Interlagos. Com a vitória Felipe encerrou a temporada com o vice-campeonato e o maior número de triunfos no ano, seis vitórias contra cinco de Lewis Hamilton.
Do outro lado dessa história estava o piloto britânico da McLaren. Largando na quarta posição, atrás de Kimi e duas posições a frente de Alonso, classificação conseguida a duras penas no treino de sábado onde a McLaren levou, além da chuva, um banho dos rivais.
Só de pensar que na sua frente estava Raikkonen e que atrás vinha Fernando Alonso já seria um ótimo motivo para não piscar na pista. E foi o que fez Hamilton. Contrariando a todos – Nelson Piquet pai deveria ter dormido sem a frase: “ele não vai passar da primeira curva”, visto que foi justamente Nelsinho quem não completou a primeira volta – Lewis Hamilton fez uma corrida cerebral, em momento algum afobado, com o regulamento embaixo do braço, sempre buscando manter distância segura dos adversários.
Só o imponderável lhe tiraria o título. Corrida segura, cautelosa... Até que o imponderável resolveu dar um banho na pista a seis voltas do fim da prova. No retorno, cuidado extremo, um retardatário – Kubika – ensandecido e a grande revelação da temporada, o veloz piloto alemão da STR, Vettel, ultrapassou Lewis na penúltima volta, colocando o inglês na sexta posição que dava o caneco a Massa.
O piloto brasileiro ao cruzar em primeiro, naquele instante, era o campeão do mundo. Mas aí o imponderável resolveu não tirar folga e a quinhentos metros da linha de chegada, na subida da junção, Timo Glock, o alemão vilão na história que vinha na quarta posição com pneus para pista seca, não conseguiu mais manter seu carro na pista e foi ultrapassado, primeiro por Vettel e em seguida por Hamilton que assim ganhava a quinta posição e se tornava o mais jovem e o primeiro negro campeão mundial de Fórmula-1.
E é assim. De uma forma simples, objetiva e respeitosa que a última corrida da temporada 2008 do Mundial de Fórmula-1 deve ser lembrada. A chegada mais eletrizante da história em que dois grandes pilotos disputaram até a bandeirada, literalmente, o título. Um teve sorte, contou com o imponderável e o outro teve vontade de vencer, brio de campeão.
Os coadjuvantes não ficam muito atrás. Brilhou durante o ano Robert Kubika, Sebastian Vettel, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso, na melhor disputa da Fórmula-1 em vinte anos. Pilotos talentosos, arrojados e em busca da superação dos limites, da perfeição. No fim, o título vai para a Inglaterra em boas mãos e fica no coração da torcida brasileira a sensação de que fomos adotados, que saímos, enfim, do orfanato.
Temos um piloto com reais condições de se tornar o primeiro brasileiro depois de Ayrton Senna a conquistar o mundo do automobilismo. É esperar a próxima temporada, repleta de mudanças em que a partir da Austrália começará a traçar os rumos da temporada que, para nossa tristeza, não será encerrada no Brasil. Mas, cá para nós, independentemente do asfalto, que seja como neste ano, que no fim das contas vença o melhor.
P.S.: Não poderia encerrar este post sem prestar uma justíssima homenagem ao piloto Brasileiro Rubens Barrichello. Rubinho ainda não tem garantida a sua participação na próxima temporada mesmo tendo sido responsável por quase a totalidade dos minguados pontos que a equipe Honda conquistou este ano.
Só saberá se eles o querem ou não em dezembro. Uma tremenda falta de respeito com um piloto que, à sombra de Michael Schumacher, simplesmente o maior vencedor da história, foi duas vezes vice-campeão mundial, com nove vitórias, algumas das mais emocionantes, mais de quinhentos pontos na categoria e o maior recordista de participações em grandes prêmios.
Barrichello, nós ainda não sabemos se você vai ou se você fica, mas, seja como for, saiba que como brasileiro, como amante do esporte, eu tenho um profundo respeito, muita admiração pela sua perseverança, pelo seu talento. Parabéns Rubens!
Vou começar este artigo em sentido anti-horário, como no autódromo José Carlos Pace... Por quê? Porque é preciso... Felipe Massa foi grande, foi herói, liderou de ponta a ponta a corrida, venceu com méritos e sobras, mas, o título é do piloto britânico e isso não pode ser diminuído de forma alguma.
Tanto Lewis quanto Felipe fizeram por merecer vencer este campeonato. Foram responsáveis pelos melhores momentos dessa temporada, quiçá dos últimos anos insossos da categoria. Agora, não dar a devida importância ao título de um piloto que está apenas na sua segunda temporada e detêm marcas impressionantes pela curta carreira, além de um arrojo difícil de mensurar em palavras, é uma tremenda falta de respeito.
Falta de respeito, inclusive, com o nosso bravo Felipe. Ele não precisa dessa piedade. É um piloto sensacional e que, caso não haja reveses em sua carreira, será sim campeão do mundo. Eu tenho um amigo, Rubens Bravo, que sempre me diz uma frase que vou carregar comigo para o resto da vida.
Ele aprendera com seu pai e sempre faz questão de trazê-la a tona quando preciso: “toda frase começada por 'se' é idiota, é desnecessária... ’’ Então, se o motor não tivesse estourado, se a mangueira não tivesse ficado acoplada, se o Hamilton não tivesse enchido o carro de Raikkonen nos boxes, se o pobre do Glock tivesse trocado os pneus... Enfim, o 'se' não entra para a história.
No esporte de alto-rendimento não há espaço para condicionais. Ou é ou não é. E o que entra para a história são os últimos quinhentos metros da pista de Interlagos. É isso o que vale. Sendo assim, podemos voltar a nos ater aos fatos. A Ferrari dominou amplamente o fim de semana do GP Brasil.
A McLaren em momento algum conseguiu se encontrar. Sábado na classificação Felipe fez segundo suas próprias palavras “uma volta mais que perfeita”, quase meio segundo à frente de Lewis que alinhou em quarto no grid. Durante a prova Felipe impôs desde o início um ritmo alucinante, mostrando que estava focado em conseguir o seu objetivo primordial na corrida: a vitória do GP Brasil.
Liderou de ponta a ponta a corrida e no fim conseguiu o feito que o iguala ao lendário e inesquecível Ayrton Senna, com duas vitórias no circuito de Interlagos. Com a vitória Felipe encerrou a temporada com o vice-campeonato e o maior número de triunfos no ano, seis vitórias contra cinco de Lewis Hamilton.
Do outro lado dessa história estava o piloto britânico da McLaren. Largando na quarta posição, atrás de Kimi e duas posições a frente de Alonso, classificação conseguida a duras penas no treino de sábado onde a McLaren levou, além da chuva, um banho dos rivais.
Só de pensar que na sua frente estava Raikkonen e que atrás vinha Fernando Alonso já seria um ótimo motivo para não piscar na pista. E foi o que fez Hamilton. Contrariando a todos – Nelson Piquet pai deveria ter dormido sem a frase: “ele não vai passar da primeira curva”, visto que foi justamente Nelsinho quem não completou a primeira volta – Lewis Hamilton fez uma corrida cerebral, em momento algum afobado, com o regulamento embaixo do braço, sempre buscando manter distância segura dos adversários.
Só o imponderável lhe tiraria o título. Corrida segura, cautelosa... Até que o imponderável resolveu dar um banho na pista a seis voltas do fim da prova. No retorno, cuidado extremo, um retardatário – Kubika – ensandecido e a grande revelação da temporada, o veloz piloto alemão da STR, Vettel, ultrapassou Lewis na penúltima volta, colocando o inglês na sexta posição que dava o caneco a Massa.
O piloto brasileiro ao cruzar em primeiro, naquele instante, era o campeão do mundo. Mas aí o imponderável resolveu não tirar folga e a quinhentos metros da linha de chegada, na subida da junção, Timo Glock, o alemão vilão na história que vinha na quarta posição com pneus para pista seca, não conseguiu mais manter seu carro na pista e foi ultrapassado, primeiro por Vettel e em seguida por Hamilton que assim ganhava a quinta posição e se tornava o mais jovem e o primeiro negro campeão mundial de Fórmula-1.
E é assim. De uma forma simples, objetiva e respeitosa que a última corrida da temporada 2008 do Mundial de Fórmula-1 deve ser lembrada. A chegada mais eletrizante da história em que dois grandes pilotos disputaram até a bandeirada, literalmente, o título. Um teve sorte, contou com o imponderável e o outro teve vontade de vencer, brio de campeão.
Os coadjuvantes não ficam muito atrás. Brilhou durante o ano Robert Kubika, Sebastian Vettel, Kimi Raikkonen, Fernando Alonso, na melhor disputa da Fórmula-1 em vinte anos. Pilotos talentosos, arrojados e em busca da superação dos limites, da perfeição. No fim, o título vai para a Inglaterra em boas mãos e fica no coração da torcida brasileira a sensação de que fomos adotados, que saímos, enfim, do orfanato.
Temos um piloto com reais condições de se tornar o primeiro brasileiro depois de Ayrton Senna a conquistar o mundo do automobilismo. É esperar a próxima temporada, repleta de mudanças em que a partir da Austrália começará a traçar os rumos da temporada que, para nossa tristeza, não será encerrada no Brasil. Mas, cá para nós, independentemente do asfalto, que seja como neste ano, que no fim das contas vença o melhor.
P.S.: Não poderia encerrar este post sem prestar uma justíssima homenagem ao piloto Brasileiro Rubens Barrichello. Rubinho ainda não tem garantida a sua participação na próxima temporada mesmo tendo sido responsável por quase a totalidade dos minguados pontos que a equipe Honda conquistou este ano.
Só saberá se eles o querem ou não em dezembro. Uma tremenda falta de respeito com um piloto que, à sombra de Michael Schumacher, simplesmente o maior vencedor da história, foi duas vezes vice-campeão mundial, com nove vitórias, algumas das mais emocionantes, mais de quinhentos pontos na categoria e o maior recordista de participações em grandes prêmios.
Barrichello, nós ainda não sabemos se você vai ou se você fica, mas, seja como for, saiba que como brasileiro, como amante do esporte, eu tenho um profundo respeito, muita admiração pela sua perseverança, pelo seu talento. Parabéns Rubens!
Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
17h58mim
Vinte e cinco de outubro de 2008, após 329 dias, Felipe; Alessandro, William, Chicão e André Santos; Cristian, Elias, Douglas e Morais; Dentinho e Herrera, comandados pelo gaúcho Mano Menezes, recolocam o Corinthians Paulista na elite do Futebol Brasileiro.
Quando às 17h58min do sábado retrasado o mato-grossense Maurício de Siqueira apontou o centro do gramado dando por encerrada a partida entre Corinthians e Ceará, um filme triste passou pela cabeça de uma nação inteira de torcedores, a Fiel torcida corintiana.
Afinal de contas há pouco mais de dez meses, numa ensolarada tarde de domingo (contrariando Roberto Carlos, nem todo fim de tarde têm doces recordações) no Estádio Olímpico em Porto Alegre, ao empatar com o Grêmio, o alvinegro paulista dava um “até logo”, um passo atrás eu diria, à elite do futebol brasileiro.
Embora, graças à boa vontade da CBF de peitar a televisão (nem Freud explica esse rompante de coragem (?)), a Série B do Campeonato Brasileiro seja, hoje em dia, um belo torneio, bem disputado, com grandes públicos não há como negar que o descenso deixou uma mancha negra na história gloriosa do clube.
Mancha essa que vinha sendo constituída há décadas por diretorias que não estavam à altura da grandeza do clube, que se orgulha de ostentar a segunda maior torcida desse País e, talvez, a mais fanática e ligada a um time de futebol por estas bandas do continente que se tenha notícia.
Más administrações direcionaram o clube ao caos e a pobre Fiel a peregrinar por estádios dantes nunca visitados. O ano de 2008 começou, por conta desse atropelo histórico, com uma equação em que o X era um problema aparentemente sem solução pelos corredores do Parque São Jorge. Descrédito, jogadores desconhecidos e uma campanha no Campeonato Paulista que deixou a equipe fora do quadrangular final.
Cresciam as dúvidas... Adiante, num torneio, hoje, sem pé e nem cabeça, onde as principais equipes do País ficam de fora, numa alusão malfeita ao estilo europeu de disputas, uma boa campanha levou o time à final da Copa. No jogo de ida, diante da fiel torcida, uma vitória por 3 x 1 e uma aparente volta aos grandes tempos.
Aparente porque no jogo de volta a surpreendente equipe do Sport clube de Recife, como vimos em posts anteriores, lançou um 3 x 0 na equipe Paulista, na Ilha do Retiro, conquistando o título e aumentando a desconfiança em torno do real poderio do Corinthians na Série B do Brasileirão. Mas, aí, veio a tão aguardada competição, sem eufemismo, a mais importante da história do clube até então, que me perdoem os fanáticos, mas nem a conquista do mundial se compara a tal, e a equipe cumpriu com a obrigação transferida por más gestões.
Numa campanha irrepreensível, sob a batuta do gaúcho Mano Menezes, o mesmo que trouxe de volta o Grêmio de Porto Alegre da divisão de acesso (Grêmio que lidera a elite atualmente), a equipe conseguiu com seis rodadas de antecipação conquistar o direito de voltar à primeira divisão do futebol brasileiro. Que tenha significado algo a dolorosa lição. Dolorosa, sobretudo, para os torcedores que nada tinham a ver com o desequilíbrio de quem comandava o futebol do clube.
Cabe a atual diretoria que, diga-se de passagem, já fez lá algumas lambanças à parte o sucesso, provar em 2009 que o clube voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído porque se sair de novo...
A lição aprendida pelos paulistas deve servir de espelho a outros grandes clubes do futebol brasileiro. Se olharmos a classificação da atual primeira divisão do Campeonato Brasileiro nos deparamos, surpreendentemente, com cinco títulos brasileiros (quatro do Vasco da Gama e um do Atlético Paranaense) na zona de rebaixamento.
Pois é, vemos o tetracampeão nacional Vasco da Gama, clube onde jogaram os três maiores artilheiros da história da competição – Dinamite, Romário e Edmundo -, com hoje, segundo os matemáticos, 64% de chances de ser rebaixado à divisão de acesso. Alguma coisa deve estar errada.
Nos últimos anos, Fluminense, Bahia, Botafogo, Palmeiras, Grêmio e Corinthians (todos campeões brasileiros, sendo que os dois primeiros até pela terceira divisão andaram passeando) disputaram a segunda divisão. Méritos dos adversários? Poderia até ser...
Poderia porque os resultados posteriores mostraram que muitos dos que ficaram não eram melhores dos que foram... E os que foram salvo a mãozinha que o então Deputado Federal Eurico Miranda deu ao Fluminense em 2000 e a persistência do Bahia em mostrar seu futebol e sua incompetência em divisão de acesso, voltaram com méritos...
Grêmio e Palmeiras hoje até brigam pelo título... Isto posto, o êxito (sic!) do Corinthians não deve encobrir os erros cometidos que levaram ao caos. Equipes como o São Paulo, por exemplo, não fazem boas campanhas nos torneios que disputam por mero acaso do destino.
O tricolor do Morumbi possui uma estrutura digna de futebol europeu e um ambiente político, digamos, bem mais equilibrado que na maioria das equipes do País. Ingresso caro, êxodo de atletas, falta de infra-estrutura, desequilíbrios na relação com a televisão e má gestão levam o brasileiro, amante do futebol, a ter de assistir o Campeonato Inglês, a Liga dos Campeões, o Italiano, em busca de um futebol condizente com as tradições verde e amarela...
Nem nossa seleção, quando passa por aqui, é capaz de nos brindar com um espetáculo... Algo precisa ser feito, com urgência, porque se as coisas continuarem assim, os dias de glória do futebol brasileiro ficarão, assim como a escalação postada no início do texto, a cargo dos museus.
Quando às 17h58min do sábado retrasado o mato-grossense Maurício de Siqueira apontou o centro do gramado dando por encerrada a partida entre Corinthians e Ceará, um filme triste passou pela cabeça de uma nação inteira de torcedores, a Fiel torcida corintiana.
Afinal de contas há pouco mais de dez meses, numa ensolarada tarde de domingo (contrariando Roberto Carlos, nem todo fim de tarde têm doces recordações) no Estádio Olímpico em Porto Alegre, ao empatar com o Grêmio, o alvinegro paulista dava um “até logo”, um passo atrás eu diria, à elite do futebol brasileiro.
Embora, graças à boa vontade da CBF de peitar a televisão (nem Freud explica esse rompante de coragem (?)), a Série B do Campeonato Brasileiro seja, hoje em dia, um belo torneio, bem disputado, com grandes públicos não há como negar que o descenso deixou uma mancha negra na história gloriosa do clube.
Mancha essa que vinha sendo constituída há décadas por diretorias que não estavam à altura da grandeza do clube, que se orgulha de ostentar a segunda maior torcida desse País e, talvez, a mais fanática e ligada a um time de futebol por estas bandas do continente que se tenha notícia.
Más administrações direcionaram o clube ao caos e a pobre Fiel a peregrinar por estádios dantes nunca visitados. O ano de 2008 começou, por conta desse atropelo histórico, com uma equação em que o X era um problema aparentemente sem solução pelos corredores do Parque São Jorge. Descrédito, jogadores desconhecidos e uma campanha no Campeonato Paulista que deixou a equipe fora do quadrangular final.
Cresciam as dúvidas... Adiante, num torneio, hoje, sem pé e nem cabeça, onde as principais equipes do País ficam de fora, numa alusão malfeita ao estilo europeu de disputas, uma boa campanha levou o time à final da Copa. No jogo de ida, diante da fiel torcida, uma vitória por 3 x 1 e uma aparente volta aos grandes tempos.
Aparente porque no jogo de volta a surpreendente equipe do Sport clube de Recife, como vimos em posts anteriores, lançou um 3 x 0 na equipe Paulista, na Ilha do Retiro, conquistando o título e aumentando a desconfiança em torno do real poderio do Corinthians na Série B do Brasileirão. Mas, aí, veio a tão aguardada competição, sem eufemismo, a mais importante da história do clube até então, que me perdoem os fanáticos, mas nem a conquista do mundial se compara a tal, e a equipe cumpriu com a obrigação transferida por más gestões.
Numa campanha irrepreensível, sob a batuta do gaúcho Mano Menezes, o mesmo que trouxe de volta o Grêmio de Porto Alegre da divisão de acesso (Grêmio que lidera a elite atualmente), a equipe conseguiu com seis rodadas de antecipação conquistar o direito de voltar à primeira divisão do futebol brasileiro. Que tenha significado algo a dolorosa lição. Dolorosa, sobretudo, para os torcedores que nada tinham a ver com o desequilíbrio de quem comandava o futebol do clube.
Cabe a atual diretoria que, diga-se de passagem, já fez lá algumas lambanças à parte o sucesso, provar em 2009 que o clube voltou ao lugar de onde nunca deveria ter saído porque se sair de novo...
A lição aprendida pelos paulistas deve servir de espelho a outros grandes clubes do futebol brasileiro. Se olharmos a classificação da atual primeira divisão do Campeonato Brasileiro nos deparamos, surpreendentemente, com cinco títulos brasileiros (quatro do Vasco da Gama e um do Atlético Paranaense) na zona de rebaixamento.
Pois é, vemos o tetracampeão nacional Vasco da Gama, clube onde jogaram os três maiores artilheiros da história da competição – Dinamite, Romário e Edmundo -, com hoje, segundo os matemáticos, 64% de chances de ser rebaixado à divisão de acesso. Alguma coisa deve estar errada.
Nos últimos anos, Fluminense, Bahia, Botafogo, Palmeiras, Grêmio e Corinthians (todos campeões brasileiros, sendo que os dois primeiros até pela terceira divisão andaram passeando) disputaram a segunda divisão. Méritos dos adversários? Poderia até ser...
Poderia porque os resultados posteriores mostraram que muitos dos que ficaram não eram melhores dos que foram... E os que foram salvo a mãozinha que o então Deputado Federal Eurico Miranda deu ao Fluminense em 2000 e a persistência do Bahia em mostrar seu futebol e sua incompetência em divisão de acesso, voltaram com méritos...
Grêmio e Palmeiras hoje até brigam pelo título... Isto posto, o êxito (sic!) do Corinthians não deve encobrir os erros cometidos que levaram ao caos. Equipes como o São Paulo, por exemplo, não fazem boas campanhas nos torneios que disputam por mero acaso do destino.
O tricolor do Morumbi possui uma estrutura digna de futebol europeu e um ambiente político, digamos, bem mais equilibrado que na maioria das equipes do País. Ingresso caro, êxodo de atletas, falta de infra-estrutura, desequilíbrios na relação com a televisão e má gestão levam o brasileiro, amante do futebol, a ter de assistir o Campeonato Inglês, a Liga dos Campeões, o Italiano, em busca de um futebol condizente com as tradições verde e amarela...
Nem nossa seleção, quando passa por aqui, é capaz de nos brindar com um espetáculo... Algo precisa ser feito, com urgência, porque se as coisas continuarem assim, os dias de glória do futebol brasileiro ficarão, assim como a escalação postada no início do texto, a cargo dos museus.
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
Uma luz azul me guia
Artigo publicado no blog esportivo do rotacapixaba.com
Enfim, estamos chegando ao fim do ano, momento das retrospectivas, dos balanços... Mas, isso fica para outro post. Afinal, tivemos Olimpíadas, brasileiros brigando por títulos mundiais, alguns tropeços, muitos desequilíbrios, ou seja, todos os ingredientes que fazem do esporte essa verdadeira paixão incompreendida.
Ontem estava assistindo, mais uma vez, por conta de um retiro forçado, a Uma Verdade Inconveniente, documentário em que o ex-futuro presidente dos EUA (para a profunda tristeza de todo e qualquer ser vivo que habita este planeta, apenas ex-futuro) Al Gore brada, como cidadão do mundo é bom frisar, em meio a uma verdadeira aula de vida a todos, os lamentos de um planeta que sofre calado.
Quem não assistiu ainda e acha um terrorismo psicológico o alarde em torno das questões ambientais assista e tire suas próprias conclusões. Mas que raios isso tem a ver com esporte já grita meu grande amigo de todas as horas Mário Tinoco...
Estamos no finalzinho da primavera, a poucos metros de darmos a mão a mais um verão, horário de verão vigorando, fins de tarde belíssimos... Saímos do trabalho com o sol ainda beijando a face e o mar afagando o coração, pedindo como presente um mergulho, em retribuição...
Na areia redes espalhadas por toda parte... Que tal um futevôlei? Um futebol? Prefere um Cooper? Sem problemas, o verão no Brasil é democrático. É convite. Natureza, céu aberto... Um clima escaldante até demais...
E aqui, no escaldante até demais, Gore assume o contexto vira dono da bola e se enquadra no roteiro. Não citei Al Gore e o ótimo documentário dirigido por Davis Guggenheim, que, além de episódios para as séries televisas ER e 24 Horas, já havia feito o filme Intrigas, para tentar imprimir certa erudição ao post. Não chegaria a tal pedantismo.
O fiz como um grito, um alerta, um chamado à reflexão mesmo. Recentes eventos naturais (um pequeno eufemismo para as catástrofes noticiadas), perceptíveis a todos, como o furacão Katrina, em New Orleans, têm, por trás, a degradação do meio ambiente feita pelo homem e sua busca desenfreada pelo progresso.
A fim de tentar alertar a população em geral a respeito dos riscos e da necessidade de se fazer algo a respeito, Al Gore, político da nação que sem dúvida alguma é a maior culpada pelo atual estágio de degradação ambiental em nosso planeta, decidiu fazer um filme sobre o tema. Mas isso nunca vai acontecer no Brasil de Jobim, das belas mulatas de Ipanema, da enseada de águas cristalinas da Praia de Bacutia, em Nova Guarapari, da beleza da Curva da Jurema, em Vitória, ou das belas praias de Floripa que abraçam surfistas do mundo inteiro todo o ano...
Floripa? Não foi por Santa Catarina que o Ciclone Catarina passou em 2004 deixando um rastro de destruição nunca visto em solos tupiniquins? É verdade... Ciclone no Brasil... Na época do meu avô isso soaria como piada de mau gosto, mas... A natureza começou a gritar, também, por aqui...
Imagina sair do trabalho no finalzinho da tarde, horário de verão, e o sol não alisar sua testa e sim lhe dar um empurrão para a casa, para o ar condicionado? Imagina ser privado de uma Praia de Copacabana, de uma beleza como é Jericoacoara? Do futevôlei? Do futebol e do chopinho com os amigos? Curtir um mundial de surf pelas imagens de arquivo dos canais esportivos de televisão pela total ausência de mar?
Pois bem, não é preciso ir muito longe pra entender que, se continuar como está a degradação da natureza nos privará de ter uma vida, no mínimo, saudável em pouco tempo. Este ano nós tivemos um exemplo terrível do quanto isso afeta, inclusive, as competições esportivas.
Beijing produziu um espetáculo à parte na abertura e no encerramento dos Jogos Olímpicos, nas instalações nababescas, nas transmissões via satélite, naquela que pode ser definida sem erros como tendo sido a maior Olimpíada na Era Moderna. Mas, prestaram atenção no céu chinês? Lembram dos locutores da TV brasileira relatando a qualidade do ar, a umidade oscilante e a temperatura mais alucinante ainda?
Tenho, honestamente, pena de quem precisou correr ou fazer ciclismo ou participar do triátlon nestes Jogos... Se, por um lado, a economia chinesa é a que mais cresce no mundo atualmente, por outro o País contribui para a humanidade com uma das mais altas cargas de poluentes do globo.
E tais quais os esvaziados acordos antipoluição que são firmados vez em quando, prometeram, em vão, controlar as suas taxas para que, ao menos durante os jogos, o País pudesse privar os turistas e os atletas do caos que é o ar de Pequim. No fim das contas, o poderio financeiro, para variar um pouquinho, saiu vencedor e os jogos Olímpicos foram realizados embaixo de fumaça mesmo e tudo ficou como “deve estar”.
Pensando nisso, decidi dividir com vocês, também, minha experiência com a riqueza de detalhes do documentário de Davis Guggenheim. Já que nem o magnetismo de uma competição como a vista no meio deste ano foi capaz – se é que depois dos Katrinas e terremotos na China ainda se fazia necessário qualquer alarde – de sensibilizar as pessoas, de encorajá-las a reivindicar o básico que é o direito de respirar, por que não apelar para dados sendo dispostos de uma forma simples e com emoção controlada para tentar algum lugar ao sol?
Eu quero poder levar o meu filho para jogar futevôlei no fim da tarde. Quero descer corredeiras com meus netos. Quero poder avistar o céu durante a transmissão dos próximos Jogos Olímpicos. Enfim, quero que eles possam desfrutar de tudo aquilo que desfrutei e vivi e que os relatórios menos pessimistas dizem estar por risco em menos de cinqüenta anos.
E assim, o encontro entre esporte e política se fez necessário mais uma vez. Há engajamento de esportistas e de ativistas do mundo do pop em campanhas contra a fome, pela paz mundial, no combate à AIDS.
Em combate à violência contra o planeta em si, os esforços ainda partem de uma minoria abafada pelo poder da grande mídia, das multinacionais. Mas, tenho esperanças de que um Michael Phelps (EUA), um Michael Schumacher, enfim, que um grande nome chame atenção a essa causa de uma forma mais contundente.
A natureza está morrendo... E com ela o combustível da vida, que tem no esporte o seu aditivo maior.
Nunca fui muito fã de patrulhamentos ideológicos, mas, definitivamente, a saúde desconhece códigos e convenções. Pratique esportes! Viva!
Enfim, estamos chegando ao fim do ano, momento das retrospectivas, dos balanços... Mas, isso fica para outro post. Afinal, tivemos Olimpíadas, brasileiros brigando por títulos mundiais, alguns tropeços, muitos desequilíbrios, ou seja, todos os ingredientes que fazem do esporte essa verdadeira paixão incompreendida.
Ontem estava assistindo, mais uma vez, por conta de um retiro forçado, a Uma Verdade Inconveniente, documentário em que o ex-futuro presidente dos EUA (para a profunda tristeza de todo e qualquer ser vivo que habita este planeta, apenas ex-futuro) Al Gore brada, como cidadão do mundo é bom frisar, em meio a uma verdadeira aula de vida a todos, os lamentos de um planeta que sofre calado.
Quem não assistiu ainda e acha um terrorismo psicológico o alarde em torno das questões ambientais assista e tire suas próprias conclusões. Mas que raios isso tem a ver com esporte já grita meu grande amigo de todas as horas Mário Tinoco...
Estamos no finalzinho da primavera, a poucos metros de darmos a mão a mais um verão, horário de verão vigorando, fins de tarde belíssimos... Saímos do trabalho com o sol ainda beijando a face e o mar afagando o coração, pedindo como presente um mergulho, em retribuição...
Na areia redes espalhadas por toda parte... Que tal um futevôlei? Um futebol? Prefere um Cooper? Sem problemas, o verão no Brasil é democrático. É convite. Natureza, céu aberto... Um clima escaldante até demais...
E aqui, no escaldante até demais, Gore assume o contexto vira dono da bola e se enquadra no roteiro. Não citei Al Gore e o ótimo documentário dirigido por Davis Guggenheim, que, além de episódios para as séries televisas ER e 24 Horas, já havia feito o filme Intrigas, para tentar imprimir certa erudição ao post. Não chegaria a tal pedantismo.
O fiz como um grito, um alerta, um chamado à reflexão mesmo. Recentes eventos naturais (um pequeno eufemismo para as catástrofes noticiadas), perceptíveis a todos, como o furacão Katrina, em New Orleans, têm, por trás, a degradação do meio ambiente feita pelo homem e sua busca desenfreada pelo progresso.
A fim de tentar alertar a população em geral a respeito dos riscos e da necessidade de se fazer algo a respeito, Al Gore, político da nação que sem dúvida alguma é a maior culpada pelo atual estágio de degradação ambiental em nosso planeta, decidiu fazer um filme sobre o tema. Mas isso nunca vai acontecer no Brasil de Jobim, das belas mulatas de Ipanema, da enseada de águas cristalinas da Praia de Bacutia, em Nova Guarapari, da beleza da Curva da Jurema, em Vitória, ou das belas praias de Floripa que abraçam surfistas do mundo inteiro todo o ano...
Floripa? Não foi por Santa Catarina que o Ciclone Catarina passou em 2004 deixando um rastro de destruição nunca visto em solos tupiniquins? É verdade... Ciclone no Brasil... Na época do meu avô isso soaria como piada de mau gosto, mas... A natureza começou a gritar, também, por aqui...
Imagina sair do trabalho no finalzinho da tarde, horário de verão, e o sol não alisar sua testa e sim lhe dar um empurrão para a casa, para o ar condicionado? Imagina ser privado de uma Praia de Copacabana, de uma beleza como é Jericoacoara? Do futevôlei? Do futebol e do chopinho com os amigos? Curtir um mundial de surf pelas imagens de arquivo dos canais esportivos de televisão pela total ausência de mar?
Pois bem, não é preciso ir muito longe pra entender que, se continuar como está a degradação da natureza nos privará de ter uma vida, no mínimo, saudável em pouco tempo. Este ano nós tivemos um exemplo terrível do quanto isso afeta, inclusive, as competições esportivas.
Beijing produziu um espetáculo à parte na abertura e no encerramento dos Jogos Olímpicos, nas instalações nababescas, nas transmissões via satélite, naquela que pode ser definida sem erros como tendo sido a maior Olimpíada na Era Moderna. Mas, prestaram atenção no céu chinês? Lembram dos locutores da TV brasileira relatando a qualidade do ar, a umidade oscilante e a temperatura mais alucinante ainda?
Tenho, honestamente, pena de quem precisou correr ou fazer ciclismo ou participar do triátlon nestes Jogos... Se, por um lado, a economia chinesa é a que mais cresce no mundo atualmente, por outro o País contribui para a humanidade com uma das mais altas cargas de poluentes do globo.
E tais quais os esvaziados acordos antipoluição que são firmados vez em quando, prometeram, em vão, controlar as suas taxas para que, ao menos durante os jogos, o País pudesse privar os turistas e os atletas do caos que é o ar de Pequim. No fim das contas, o poderio financeiro, para variar um pouquinho, saiu vencedor e os jogos Olímpicos foram realizados embaixo de fumaça mesmo e tudo ficou como “deve estar”.
Pensando nisso, decidi dividir com vocês, também, minha experiência com a riqueza de detalhes do documentário de Davis Guggenheim. Já que nem o magnetismo de uma competição como a vista no meio deste ano foi capaz – se é que depois dos Katrinas e terremotos na China ainda se fazia necessário qualquer alarde – de sensibilizar as pessoas, de encorajá-las a reivindicar o básico que é o direito de respirar, por que não apelar para dados sendo dispostos de uma forma simples e com emoção controlada para tentar algum lugar ao sol?
Eu quero poder levar o meu filho para jogar futevôlei no fim da tarde. Quero descer corredeiras com meus netos. Quero poder avistar o céu durante a transmissão dos próximos Jogos Olímpicos. Enfim, quero que eles possam desfrutar de tudo aquilo que desfrutei e vivi e que os relatórios menos pessimistas dizem estar por risco em menos de cinqüenta anos.
E assim, o encontro entre esporte e política se fez necessário mais uma vez. Há engajamento de esportistas e de ativistas do mundo do pop em campanhas contra a fome, pela paz mundial, no combate à AIDS.
Em combate à violência contra o planeta em si, os esforços ainda partem de uma minoria abafada pelo poder da grande mídia, das multinacionais. Mas, tenho esperanças de que um Michael Phelps (EUA), um Michael Schumacher, enfim, que um grande nome chame atenção a essa causa de uma forma mais contundente.
A natureza está morrendo... E com ela o combustível da vida, que tem no esporte o seu aditivo maior.
Nunca fui muito fã de patrulhamentos ideológicos, mas, definitivamente, a saúde desconhece códigos e convenções. Pratique esportes! Viva!
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
Simplesmente você
Procurei uma cor com o seu nome só pra tentar entender
O porquê de o dia ser tão colorido quando você está;
Fiz da brisa espelho querendo refletir seus olhos;
Andei por entre vales sobre espinhos para ver se poderia,
De repente, chegar mais perto da perfeição...
Então fiquei ao seu lado,
E não, isso não é paixão...
É vontade de viver.
Daqui vejo o mar
E já que você não está aqui
Eu sonho
Assim me aproximo,
Nas lembranças que se configuram simples,
Do retrato do seu sorriso, inerte.
Paraíso é uma canção...
É simplesmente você.
Sem rimas, sem hiatos,
Sem declarações de amor, desabafos,
Sem frases clichês, ao menos eu acho,
Que o que te faz maior é sutil
O dia canta...
E é por isso que tudo o que faço, faço por você.
Simplesmente você.
O porquê de o dia ser tão colorido quando você está;
Fiz da brisa espelho querendo refletir seus olhos;
Andei por entre vales sobre espinhos para ver se poderia,
De repente, chegar mais perto da perfeição...
Então fiquei ao seu lado,
E não, isso não é paixão...
É vontade de viver.
Daqui vejo o mar
E já que você não está aqui
Eu sonho
Assim me aproximo,
Nas lembranças que se configuram simples,
Do retrato do seu sorriso, inerte.
Paraíso é uma canção...
É simplesmente você.
Sem rimas, sem hiatos,
Sem declarações de amor, desabafos,
Sem frases clichês, ao menos eu acho,
Que o que te faz maior é sutil
O dia canta...
E é por isso que tudo o que faço, faço por você.
Simplesmente você.
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